Dizer sim a um instante é dizer sim a toda existência!
Waking Life! O que é sonho e o que é real? “Sonho é destino!”, diriam alguns.
Em um dos diálogos desse filme, uma moça questiona o fato de que quando somos jovens e, sendo assim supostamente mais distantes da morte, nossas ações são impulsivas, como se tudo fosse acabar amanhã e temos essa certa urgência em tudo o que fazemos. E à medida que o tempo passa e vamos ficando mais velhos, adquirimos calma apesar de estarmos cada vez mais próximos do fim. Não é um paradoxo? Não deveríamos ficar cada vez mais aflitos com o fato do dead line se aproximar? Ou não? Vamos nos acostumando com o dia após dia e esquecemos o curto tempo que temos? Ou simplesmente entendemos e aceitamos o jogo, seja ele qual for? Eu não saberia responder, nem sei se quero e se é realmente necessário. Talvez seja como diz a Clarice Lispector: Viver supera qualquer entendimento!
E são tantas pequenas surpresas que nos aparecem... a cada instante!!! Eu sempre tive a sensação de que temos uma rédea, como se nossa vida fosse uma biga romana e vamos ali, conduzindo na direção que queremos, como que queremos, na hora que queremos, enfim... Mas de repente aparece uma rédea maior e vira a direção! E ficamos ali tentando equilibrar tudo, ou melhor, eu fico na equação; o meu desejo x o do que me surpreende. Talvez não devesse tentar guiar, devesse me deixar ser... Não sei... Mas essa sensação de que quando dizemos sim a um momento dizemos a uma existência é pertinente, já que uma existência é o agora, o ontem e o amanhã, numa grande mistura filosófica.
Porém, e se viramos a nossa briga pra uma estrada fora do curso? Bom, aí já pressuponho que havia um!rs Sem entrar nesse questionamento , que é ainda mais amplo, mas sim na sensação de estar fora de curso. Seria isso intuição? Medo? Ou simplesmente uma questão inerente a quem se põe a pensar sobre a vida? Porque o contrário também é verdadeiro, dizer não a um instante é dizer não a toda uma existência!
Quando eu era criança acreditava numa espécie de jogo. Era assim:
Eu acreditava que havia duas de mim: eu mesma, com minha família e outra que morava num lugar muito distante, no Alasca, que pra mim era o lugar mais distante que poderia ter! E não era só eu, todos tinham essa espécie de duplo. Eu sempre ficava pensando o que a outra de mim estaria fazendo agora? Será que diante de essa situação ela faria o mesmo? E vivia quase que diariamente nesse questionário sem fim. Porque o jogo funcionava dessa forma: no final
( daí não saberia explicar exatamente do que, se da vida, enfim...era apenas uma criança!) seriam comparadas as ações e a que conseguisse as melhores saídas poderia ter a vida única, só pra ela, seria enfim um único ser. Realmente acreditava nisso e às vezes perguntava aos que estavam em volta como estavam os seus “outros”. Acreditava também que durante o sonho (o de quando estamos adormecidos!) combinávamos o que iríamos fazer no dia ou em períodos próximos. Discutíamos (não sei com quem!) e decidíamos o que seria melhor. Porém, ao acordarmos, poderíamos ou não fazer o combinado.
E aí é que está: Éramos livres pras escolhas! Éramos? Somos! sempre somos!Eu tinha uns cinco anos.. Waking Life!
foto: Alécio Cezar
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