quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012



Tinha muita gente.Te procurei. Saí...
O barulho dos automóveis lá fora poderíam refletir aqui dentro. A multidão assusta como no dia em que saímos da casa dos pais para morar a sós:o velho fogão marrom, a fumaça do cigarro desenhando o teto, e seu sorriso de canto, tímido. "Seus olhos amendoados não alcançam aqui dentro!" Era o verniz ...Esse de camada brilhante e sedutora!
Olho ao redor e você não está. Procuro na sessão de lançamentos, que sempre foi sua primeira opção. Depois na prateleira da cultuada arte moderna. E ali alguns te representam num gesto, num comentário. O homem da direita vira a página lambendo os dedos como se pudesse comê-la! Exatamente como você.
Os ombros pesam. Sento-me naquele mesmo lugar de sempre e peço o mesmo prato de sempre! E eu como e eu pago e eu espero. Olho ao redor e você não está. Talvez já tivesse partido antes mesmo de partir! Porque parece-me que é assim: a ação física é reflexo, somente reflexo do doce desejo de ir. 
Pra quê tanta gente em volta? Pra quê? Decido andar e assim o faço por horas (anos?)  como se ao caminhar deixasse partes pelo chão, desfolhadas!
E antes de morrer, eu morro! E mais uma vez e sempre...

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