terça-feira, 13 de março de 2012
Caçando palavras
E mais uma vez olho pela porta da cozinha que dá para o jardim. Jardim esse quase adormecido pelo tempo...parece nem existir! Eu sempre olho! Sempre estou lá fora! E não só no jardim, também nas ruas, nas vielas escondidas, perto do mar...Tudo isso pra buscar o que aqui dentro necessita de palavra! E por quê denominar o que não se sabe nome? Em verdade só se sabe verbo: sentir! E sentir nem sempre requer a objetividade do é isso ou aquilo. Aliás, geralmente é aquilo, lá longe... Tão longe que escapa quando tentamos pegar. É o desejo que alcança, não as mãos limitadas pelo corpo. O desejo e tudo mais que pulsa! É o sangue que chega primeiro, é a gota de suor que cai antes: antes de subir pela boca (ou descer da alma?) para virar palavra. É que a fala é atropelada pelo encontro com o tempo, que é real, é agora. E o agora é tão objetivo que dói! Daquele tipo de dor que te faz tropeçar. A palavra falada está no ar misturada com a respiração ofegante de quem diz com os olhos de quem devora: fica misturada mais uma vez pelos desejos! Mas quando ela sai da ponta dos dedos torna-se atemporal, livre... O ontem e o amanhã num amor eterno e despudorado, até quase protegido! E depois que as mãos trabalham deixando escoar o que antes foi burilado lá dentro, numa busca dolorida e sem fim, ela não mais pertence a ninguém.
Ela é dúvida...e alívio!
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