quarta-feira, 11 de junho de 2014

Acho que a saudade é um barquinho que não volta! Um barquinho que saiu no mar azul num dia ensolarado ... E a areia continua lá, esperando, dia após dia. Recebendo as lambidas das águas, das correntes quentes, das correntes frias. E nas tardes em que o sol tinge tudo de laranja e rosa e amarelo, a areia deseja que o barquinho regresse servindo de quadro pra aquarela tão bonita, desenhando o amor em pinceladas profundas! Tem noites que as estrelas iluminam os olhos marejados.Tem noites que a brisa salgada traz alento. Tem noites que a areia se sente só, pequena , mesmo no meio de tantos iguais a ela. Acho que a saudade é uma esperança doída do apontar do barquinho no horizonte. Do barquinho que não volta. E a areia deixa a criança espalhar seus pedacinhos pra que ela vire castelinho cintilante. E deixa-se virar um buraco fundo que verte água incessante.E deixa-se cobrir novamente. Acho que a saudade é ressaca do dia seguinte da chuva forte. E a areia se mistura com a espumeira branca e brava. E é jogada de um lado pro outro até cair na praia vizinha. E a areia experimenta os novos pés a andarem entre ela. E que acabam levando seus restos pra longe. Acho que a saudade é o amanhecer gelado no topo da vela do barquinho. Do barquinho que não volta. E a areia se endurece de frio e quase vira pedra. E quase machuca o tatuí. E quase se esfarela. E quase dói. Acho que a saudade é a rede puxada na maré cheia. E a areia vira porto pro peixe fisgado e agonizante. E se confunde com o cheiro de pirão.
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Acho que a saudade é um barquinho que não volta! Embora a areia continue ali servindo de chão para o Forte atento e de farol aceso a iluminar o mar escuro.
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Acho que a saudade é barco que foi, é areia que fica. Eternos. No ir e vir das marés.
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Quatro meses de luas!

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