Talvez tenha sido "o sal intenso que invade o concreto e corrói o ferro da estrutura do edifício".
Talvez tenha sido o silêncio que a perda instaura.
Talvez tenha sido a motocicleta correndo a beira mar.
Ou ainda a partida inexplicável para o desconhecido.
Um choro preso o tempo inteiro invadiu meus olhos ao assistir "A Praia do Futuro".
Agora sem o "talvez" eu entendo os motivos.(particulares, eu sei.)
Esse inexplicável vazio que nos coloca em outras terras, metafóricas ou não.
Essa imprevisível troca da liberdade infinita das águas salgadas pelo tanque seguro que às vezes é necessário mesmo sem elaboração prévia. Ou o encontro com a praia sem mar, embora o sol esteja lá, fechando nossos olhos, aquecendo nosso rosto.
Eu me senti ali nas pedras noturnas levando esguicho de mar,correndo um risco nem tão perigoso assim!(porque às vezes o risco não precisa e nem deve ser tão grande mesmo). Assim como senti a neblina fria da estrada, o frio cortando o desejo de seguir, seja como for.
Triste pensar na possibilidade de alguém ter saído do cinema por conta das cenas de sexo! O roteiro trata de pessoas que tentam se encontrar no meio do afogamento que a vida, num rompante nos proporciona. E me pegou ali, sentada na poltrona do cinema como se estivesse olhando o mar. (coisa que permeou grande parte de minha vida)
Talvez tenha sido isso: o mar! O mar e Berlin. E a motocicleta.
Sei que o filme e o roteiro não agradou a muitos mas andou de mãos dadas comigo e com essa vulnerabilidade esquisita e difícil de traduzir em palavras que nos acossa, determinante.
Talvez seja a vontade que esse desconhecido me pegue pela mão mesmo e me conduza a lugares antes não pensados.
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