domingo, 22 de junho de 2014

Uma manhã quase fria de um dia quase bonito nas ruas de Perdizes.
Uma mulher, casaco escuro , roupas sujas como suas suas mãos, seu corpo.
Cabelo branco amarelado do tempo. Esquecimento.
Abaixou-se no meio fio, meio sem jeito( talvez pela dureza da idade ou da vida).
Lavou suas mãos, seu rosto com calma. Lavou sua pele envelhecida na água suja que descia na encosta da calçada. Água cheia de folhas e restos de histórias levadas pela ladeira.
Era delicada a mulher. Pegava apenas a água da superfície como se fosse de um rio. Rio magro metalizado e bruto, alheio a tudo.
Por fim, pegou uma pequena caneca de ferro,mergulhou no filete, cuidadosamente.
Bebeu.
O líquido sujo das ruas paulistanas matava sua sede matinal.
Maria? Tereza?
O sol saía das nuvens vez em quando.
Maria ou Tereza lavou sua noite nos restos misturados da rua. Bebeu do que ninguém quer.
Talvez fosse pura a ponto de não se misturar! A Maria.
Doeu a retina. Não pelo sol mas por Maria.

Do desejo que a água seja pura pra quem dela procura.

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